Breves considerações sobre o que joguei em 2018 #1

Nem todos os jogos geram muitas coisas a serem comentadas, seja porque elas não ecoam tanto assim ou porque nós não conseguimos pensar o bastante nelas pra fazer textos de mais de 3000 palavras. Não é culpa delas e nem nossa, mas acontece, e acho que aqui é um bom espaço para comentar um pouco a respeito de coisas que existiram tanto quanto as que receberam uma quantidade absurda de termos para explicá-las. Conforme eu jogar mais coisas ao longo do ano irei fazer outras postagens, se tudo der certo.

Xenoblade Chronicles 2 (Nintendo Switch)

Como outros jogos da série Xeno, o blade Chronicles 2 (apesar de já ter recebido críticas positivas em geral) só começa a receber suas visões mais relevantes alguns meses depois de sair. Eles costumam ser jogos densos e cheios de referências cruzadas teológicas tanto orientais quanto ocidentais que não importam muito para pessoas que querem muito jogar videogames no lançamento para colocá-los na lista, e não tem como digerir tudo de uma vez só, mesmo tendo mais de 50 horas. XC2 está constantemente na minha cabeça desde que terminei, gerando pensamentos bem confortáveis sobre a natureza daquele mundo. O único jeito que existe para conseguirmos fortalecer nossas memórias é pensando nelas constantemente, mesmo, então nesse caso é ainda mais fácil de conseguir: a história toda do jogo fala de como memórias são exatamente o que cria o chão que andaremos no futuro.

Jettomero: Hero of the Universe (Windows)

Jettomero é um negócio meio paródia, meio Nova Sinceridade, e ainda assim é explícito em suas ideias a ponto de parecerem apenas rascunhos de um projeto que cresceria muito com mais dinheiro e trabalho. Você é um robô gigante explorando planetas colonizados pela humanidade para ver se está tudo bem lá e enfrentando kaijus quando não está tudo bem lá. Cada monstro gigante vencido, uma mensagem codificada é liberada para entender como tudo chegou aquele lugar. É charmoso, bonito, tem modo de fotografia (aspecto imprescindível para qualquer jogo moderno) e, apesar de simplezinho e repetitivo, acaba rápido o bastante para sua mensagem, também simples, ter o peso certinho. Dá pra vestir o robô de várias maneiras, mas elas não servem pra nada além de agradar o humano que o controla.

Hellblade: Senoua’s Sacrifice (Windows)

Ao contrário de Jettomero, esse aqui é um que eu queria que fosse pelo menos umas quatro vezes mais comprido, cheio de lugares e mecânicas diferentes, diluindo sua história que, no estado atual, é meio cacofônica demais o tempo inteiro. Momentos fortes perdem a sua força por tentarem ocorrer o tempo todo, pelo uso de uma mitologia esquisita que a maior parte de nós estranharia mas para utilizar signos mitológicos familiares que não servem para nada além do estranhamento estético das palavras, e o combate que fica numa linha turva entre ser muito bom e a pior coisa de todos os tempos, temendo desagradar o lado dos jogadores que gostam de experiências mecanicamente profundas e o lado dos jogadores que só querem saber da historinha ao mesmo tempo. Hellblade não tem nem cara de experimento interessante, pois é longo demais para isso, e não confia muito em si mesmo para estender seus toques por mais tempo, com mais calma. E nem poderia: as vozes na sua cabeça urgem que você prossiga o tempo todo, sem ter tempo para pensar, só agir.

Shadow of the Colossus (Playstation 4)

Houve uma ressurreição do conceito Comunidade Do Orkut De Shadow Of The Colossus com as coisas que a Bluepoint colocou nessa versão nova lançada para Playstation 4. Algumas imagens esquisitas, coletáveis novos, uns tweets crípticos e umas transmissões para várias pessoas e pronto, me senti lá no final da década passada e no começo dessa, lendo páginas e páginas de pessoas discutindo o significado de “Shrine of Workship” porque alguém colocou um K onde não deveria. O jogo continua incrível, é claro. Quase não reconheci diversas partes do cenário só por causa das iluminações, filtros, texturas e detalhes a mais que foram introduzidos. A modernização das terras proibidas poderia facilmente ser nociva à própria noção de existência de Shadow of the Colossus como mito ou artefato cultural, mas facilmente consegue coexistir com o original sem substituí-lo e sem parecer completamente banal perante o de playstation 2 também.

Quando eu juntar mais uma quantidade razoável de coisas jogadas e precisar de um texto enchedor-de-linguiça urgente pois só lembrei que era minha vez na noite anterior, farei mais um desses aqui. Até lá!

Neozao

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