Kingdom Hearts durante meio ano, pt.1

Pelas semanas pretendo falar sobre Kingdom Hearts e outros pensamentos que tive enquanto jogava a série, tudo isso só porque esse maldito trailer de Kingdom Hearts 3 que saiu há pouco tempo me deixou animado demais.

 

Kingdom Hearts 3 popularmente estava nos anais da história junto de todos os jogos famoso que nunca iriam ser lançados: Duke Nukem Forever, Final Fantasy Versus XIII, Half Life 3. Era um sonho tão impossível e tão megalomaníaco que você já perdia esperança. Kingdom Hearts 2 saiu em 2006, Kingdom Hearts 3 até 2017 não tinha data. São 11 anos espera, mas 11 anos que aparentemente foram diluídos com “spin-offs” da série. Nesses 11 anos, saíram por volta de 5 jogos (e meio), fora compilações definitivas de tais jogos, que na teoria serviriam de apoio e nunca seriam tão importante quanto Kingdom Hearts 3 (Nomura nunca disse isso, mas era a percepção universal).

Porém, no momento que sai Birth By Sleep, a versão de PSP da franquia, vemos que há algo que não bate. Isso é uma prequel, e uma que apresenta um tanto de elementos novos e importantes pra série. Pera, como assim aquele boneco apresentado no jogo do Roxas de DS é extremamente importante? Esse joguinho gacha de celular é CANON? Essas cenas novas adicionadas no filminho da compilação são EXTREMAMENTE RELEVANTES?

Foi por causa disso e Kingdom Hearts 3 que decidi que já havia passado da hora de rejogar a série de cabo a rabo. Anteriormente, já havia comprado o 1.5 e o 2.5 para PS3, mas no caso do 2.5 nunca cheguei a abri-lo e, sinceramente, os 60fps da versão de PS4 pareciam bem mais agradáveis. E foi a partir dessa versão que cheguei às conclusões abaixo:

 

Kingdom Hearts 1 não é ruim igual eu lembrava

Eu tinha memórias boas de Kingdom Hearts 1, claro, o primeiro jogo da série foi muito especial em 2002 e era muito difícil não se impressionar absurdamente com o que via na frente da sua TV. Porém, após Kingdom Hearts 2 e outros, comecei a ter a impressão que o 1 era o muito fraco, que era travado e extremamente chato de se re-jogar. Mas não podia estar mais errado: KH1 é simplesmente muito agradável.

O combate, enquanto definitivamente mais travado que qualquer outra versão da série, ainda é divertido. Tudo o que falta de fluidez no seus ataques você compensa cancelando em Dodge Roll e evitando o ataque do inimigo e preparando um contra-ataque (o qual é extremamente parecido com uma outra série que veio mais tarde, mas evitarei fazer comparações porque é, justificavelmente, meme.)

O Sora, além de ter uma voz adorável de criança já que o Haley Joel Osment tinha tipo 13 anos, também age boa parte como uma. Kingdom Hearts 1 parece um sonho de criança onde ela vai conhecer o mundo de todos os seus desenhos preferidos e interagir com todos os personagens. Mas também toca em temas mais profundos como a busca pelo desconhecido, laços que não enxergamos e como eles nos afetam, o amor pelas outras pessoas. Ele é aproveitável tanto num nível “gosto de Disney e quero ver esses mundos” (Eu com 12 anos) quanto num nível “esse japonês tava falando de algo mais ai” (Eu com 26 anos) que fica mais aparente no resto da série.

Joguei Re:CoM pela primeira vez e fiquei com vontade de rejogar o original

Uma história curiosa: Eu enrolei demais pra jogar o Chain of Memories na época que saiu. Sim, eu tinha a ROM e o emulador, mas o jogo em si não me atiçava, até porque na minha cabeça ele era um remake do primeiro jogo para GBA, eu só fui descobrir um pouco tempo depois que tudo que acontecia ali era extremamente relevante… o problema é que esse pouco tempo depois era poucos dias antes do lançamento japonês de Kingdom Hearts 2. Então resolvi dar aquela corrida, só que o jogo é bastante difícil, ainda mais se você não tá pensando enquanto monta seu deck de cartas. Aí fiz a segunda melhor coisa: usei cheats. E mesmo assim apanhei pra esse jogo e peguei um asco tão grande dele que nunca quis revisitar. Ai fiquei sabendo que havia saído uma versão de PS2 dele e pensei que agora era a hora.

Em primeiro lugar, eu escutei essa crítica antes de jogar, mas concordei: Chain of Memories foi feito pensando no GBA e suas limitações, o que torna Re: Chain of Memories um Kingdom Hearts 1 um pouco mais frustrante. Porque assim, em Chain of Memories você tem um deck com cartas com valores de 0 – 9 e seu oponente também. Cada carta tem um efeito específico, mas a regra é que 2 vence de 1, 3 vence de 2 e assim por diante, com a exceção que 0 vence de todo mundo e perde pra todo mundo também. Vencer a carta oposta significa dar “Card Break”, onde seu oponente fica atordoado e você pode atacá-lo, e o mesmo serve caso aconteça com você. Você pode juntar 3 cartas em um combo e assim subir o valor delas (por exemplo, 2, 3 e 4 viram um valor total de 9 quando juntas) e é disso que nasce a estratégia do jogo. No GBA isso era tranquilo, mas no PS2, além de se preocupar com isso, tem que se preocupar com o espaço 3D e os inimigos utilizando esse espaço 3D. Isso cria inúmeras situações onde você simplesmente gasta carta atacando o ar, algo que raramente ocorria na versão original.

Além disso, depois de uns anos eu percebi que os sprites da versão de GBA são muito bonitos. Claro, é excelente ter dublagem e cutscenes bem animadas no Re:CoM, mas o CoM original tinha um charme muito único e específico dele.

358/2 Days é um jogo surpreendentemente tocante e melhor que o seu filme

358/2 Days foi uma das minhas primeiras decepções fortes com Kingdom Hearts, tudo que havia nele não era o que eu queria. Apesar de nessa lista ele estar antes do 2, isso se deve ao fato de que esse é o local que ele está nas compilações e o fato dele ligar diretamente o CoM e o 2, mas o jogo de fato saiu 3 anos depois. Então não é de se esperar que haveria algum tipo de expectativa quebrada ao sair do show maluco que é KHII e ir pro mais sombrio, e limitado, 358/2 Days.

Já vou dizer de cara, não ter um segundo analógico é uma dor terrível, pior ainda é ter o menu tradicional da série, que pela falta de botão do DS torna escolher uma opção no menu uma tarefa extremamente dificil (jogos portáteis futuros remediam isso com o command deck. Apesar de capengar nesse quesito, o jogo ainda é claramente pensado para portáteis. Diferente de um Kingdom Hearts normal onde você escolhe cada mundo e sai explorando ele livremente, conhecendo personagens e indo atrás de um vilão enquanto mata Heartless pelo caminho, 358/2 Days é separado em missões, cada uma que não deve durar mais que 15 minutos, com objetivos simples como matar todos os heartless, procurar particularidades no mundo visitado ou derrotar um chefe. Ele faz isso porque um jogo do tamanho de Kingdom Hearts 2 não seria ideal para o estilo de vida que o DS proporciona, você saber que tem uma missão curtinha para realizar é bem diferente de não saber até onde vai andar até achar o próximo save point.

E é nisso que Days se supera, você pode terminar um número X de missões importantes e progredir na história, ou fazer todas em que tem interesse. E cada vez vão se passando dias na vida do Roxas, onde você descobre mais sobre ele, sua vida curta de 1 ano e sua amizade e interação com todos os outros membros da Organization XIII, antagonistas principais de Kingdom Hearts 2. É uma história bonita e extremamente melancólica, ao qual o filminho incluído no 1.5 não faz jus a todas as interações do Roxas com os outros membros da Organization nesses 358 dias. Entendo perfeitamente por que não fizeram remake desse jogo: ele teria que ser refeito do 0. Mas só pela natureza dele de você realmente viver o dia a dia do Roxas, infelizmente o filme não consegue capturar essa essência.

 

Esses 3 pontos abordam apenas a primeira compilação, o 1.5, que por si só já dão bem o tom inicial da série, mas ainda não tocam no que tornou ela um fenômeno maior ainda. Isso ficará para outro texto porque se não esse ficará demasiadamente grande.

Luiggi

Luiggi

Me perguntam porque eu gosto tanto da Nintendo. Primeiramente meu nome é Luiggi. Segundo é que nunca tive motivo pra me decepcionar desde que jogava quando pequeno. Deve ser porque nunca comprei um Virtual Boy. Se bem que eu comprei um e-Reader, mas era legal até. Eu gosto de videogames num geral.
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