Kingdom Hearts em meio ano, Final.

Esse texto é uma continuação de outros dois textos, que você pode ler aqui e aqui

No final dessa série que já durou mais de um mês (e da qual eu espero não tenham se cansado), vou encerrar falando de Kingdom Hearts HD 2.8 Final Chapter Prologue e do de celular, Kingdom Hearts UX

Kingdom Hearts Dream Drop Distance é absurdo

Se rejogar Birth By Sleep na TV grande faz você notar que ele é definitivamente um jogo de PSP, Dream Drop Distance te faz imaginar como diabos tudo aquilo coube num 3DS. O time de Kingdom Hearts é notório por levar as plataformas até o seu limite, mas nesse caso foi demais: cada mundo é muito mais aberto e expansivo que qualquer outro na série.

Aqui, o sistema de command volta igual ao do jogo anterior. Mas agora tem os Dream Eaters, uns Pokémonzinhos que você leva por aí como membros do seu grupo e que te ajudam nas batalhas, além de disponibilizar buffs, magias e habilidades quanto mais você os treina. É bonitinho e bastante legal.

KHDDD (ou KH3D) é bastante ambicioso.

Aproveitou o conceito de vários protagonistas de Birth By Sleep e implementou de forma que você jogue basicamente ao mesmo tempo com os dois protagonistas do jogo, Sora e Riku. Isso é feito pelo sistema de Drop, que funciona como uma barra que delimita seu “tempo de jogo” com aquele personagem. Quando acabar, você é forçado a trocar para o outro e continuar de onde parou. É simplesmente genial, principalmente porque tanto Sora quanto Riku visitam partes diferentes de cada mundo, às vezes passando por áreas iguais ou estando completamente separados (Por exemplo: no mundo do Pinnocchio, Sora explora o famoso parque de diversões que te transforma em burro, enquanto Riku explora novamente as entranhas da baleia Monstro).

Falando no parque de diversões, uma das mais legais adições do jogo é o Flowmotion, um sistema de movimentação que é basicamente um parkour mágico. Dê um dash na parede e Sora dará um wall jump, que pode ser conectado com outro dash na parede e mais um wall jump. Corra até um inimigo gordão e você dará voltas nele, finalizando com um golpe que o jogará para longe. Todo corrimão, ou algo que pareça um corrimão, é “grindavel” (sim, como se fala quando se anda de skate mesmo), criando situações como a do parque de diversões onde você experiencia uma montanha russa sem necessariamente precisar de um carrinho para tal. É muito gostoso e divertido, deixa o jogo vertical pra caramba e todo cenário é feito pensando nisso.

Como se já não bastasse, a história começa a ficar cada vez mais densa e se preocupa em desenvolver cada vez mais quem realmente são Sora e Riku. É um jogo sobre fraquezas e insegurança, e como seus amigos tornam-se parte de você. Eu particularmente acho lindo.

Kingdom Hearts Uχ é um joguinho de celular que importa pra série

Em pleno 2015 ninguém tinha aprendido com Chain of Memories ainda. Os spin-offs mais fora da curva da série, aqueles que você pensa “ESSE SIM não vai ser relevante pra história” acabam sendo, de fato, extremamente importantes. Tão importantes que todo o resto do mundo, tirando o Japão, ficou de fora da história de Kingdom Hearts χ [chi]: um jogo de browser que conta os eventos que levaram à Keyblade War. Então eles viram que precisavam expandir o publico dessa história, pegaram e lançaram o jogo no celular como Kingdom Hearts Uχ (Unchained Chi (que agora virou Union Cross)). Só que na verdade ele não é um relançamento, e sim uma continuação.

Eu sei. Eu sempre defendo que Kingdom Hearts não é confuso quanto todo mundo diz (e não é mesmo!!), mas nesse caso a putaria vai longe demais. Dando um spoiler de leve, basicamente a versão de celular reconta os acontecimentos do original de browser até um ponto, onde depois começa a se distanciar e virar outra coisa. Enquanto χ acabava na própria Keyblade War, Uχ a princípio não vai nem chegar nela, principalmente pelo fato que ela já aconteceu no jogo anterior. Há explicações pra isso e eu particularmente acho elas legais, mas é extremamente confuso e (até então) requer que você procure por conta própria as cutscenes do χ para entender o que aconteceu. E não se iluda achando que eles são histórias contidas, mesmo que a história se passe mais de 100 anos antes dos outros jogos, Uχ recentemente reapresentou personagens conhecidos e queridos pelo público sem explicação alguma, e que já estão marcados para reaparecer (mais uma vez) em Kingdom Hearts 3. Aliás, várias coisas desse jogo serão pontos importantes em KH3.

O jogo em si é um Gacha Free to Play (popular F2P bem padrão em seu modelo. Você tem medalhas, que geralmente são adornadas com artes bonitas ou modelos 3D vindo de outros jogos ao longo da série e de vários personagens, desde Sora até Sephiroth. Você pode ganhar umas medalhas fracas de graça pelas fases, mas as boas e importantes mesmo você só ganha gastando “jewels”, que são o dinheiro do jogo. Eles não são nem muito generosos, mas também nem tão mão de vaca com as jewels que você ganha pelo jogo, da pra jogar bastante e conseguir coisas boas (com sorte, claro) sem gastar, mas você tem que saber o que está fazendo desde o inicio. Aliás, as jewels são caras pra caralho: 50 reais te conseguem 3000, o que é o suficiente pra comprar uma tentativa nos “banners” do jogo e ver se consegue medalhas boas.  Mas, novamente, nada fora da curva do esperado de F2P.

O jogo progride em formato de missões lineares, cada uma com seu objetivo e conta com vários mundos presentes nos outros jogos. E, novamente mais uma vez de novo completamente dentro do esperado, há uma quantidade absurda de missões, com mais ou menos 20% delas sendo relevante pra história ou pra o que você está fazendo. O tempo sem progressão de história é tão grande, que de vez em quando você até esquece que é pra acontecer algo nesse jogo. Mas tenho que admitir que quando acontece é bastante emocionante, não cai muito atrás dos outros jogos da série e tem cenas muito boas, além de retratar melhor mundos como o de Alice, Branca de Neve, A Bela e a Fera, entre outros que acabam sendo mais abruptos ou menos focados nos jogos principais. 

Então, já que nem todo mundo joga esses gacha F2P e não jogou o jogo de browser exclusivo do Japão, era o esperado que o filminho do χ seria no mínimo um resumão, certo? Bem…

Kingdom Hearts χ Back Cover não substitui o jogo de celular

Em vez disso, ele escolhe contar uma história anterior (e depois paralela)  ao χ sobre o Master of Masters e seus 5 discípulos. Tais discípulos são chamados de Foretellers e são figuras mascaradas que servem como os mestres de cada clã disponível no jogo. Há também um sexto discípulo misterioso, líder de clã algum, chamado Luxu (cada um dos discípulos tem nomes de pecados capitais).

O filminho é bem legal, além de ser muito bonito por rodar na engine nova, e reconta eventos que aconteciam durante o jogo, além de focar em cada um dos discípulos individualmente para construí-los melhor junto ao mundo. Também toca em alguns (poucos) mitos que já existiam na série e cria novos mistérios, todos os quais aparentam ser relevantes para Kingdom Hearts 3. Dá para assistir o filme sem sequer ter jogado os jogos de celular, já que ele é bem a parte, mas ele infelizmente não serve o mesmo propósito dos outros filmes das coletâneas.

Kingdom Hearts 0.2 é o Ground Zeroes da série

Ambos prólogos cortados do jogo final e lançados sozinhos, há muita semelhança a ser traçada aqui. Ground Zeroes com seu Camp Omega criava um playground enorme e dava uma idéia do que estava por vir em The Phantom Pain. Kingdom Hearts 0.2 Birth by Sleep -A fragmentary passage- (nome completo) consegue criar uma sensação parecida com suas áreas grandes e suas várias missões. É o tipo de “demo” que você joga e não consegue enxergar como esse jogo pode sequer dar errado.

KH 0.2 poderia facilmente ser lançado sozinho, sem estar dentro da coletânea, por ser tão denso quanto é. Jogar ele não faz mais Kingdom Hearts 3 em 2018 parecer uma mentira ou um sonho distante, há um jogo pronto e bem direcionado aqui.

O sistema de batalha dele é mais igual ao de Kingdom Hearts 2, mas com alguns elementos dos outros jogos como Shotlock e Command Styles. Fica difícil de eu expressar o quanto são legais as batalhas sem mostrar em video, mas basicamente tudo agora é muito fluido e elementos brincam com o cenário. Por exemplo, usar uma magia de gelo cria um fio de gelo que serve para você “grindar” com o Flowmotion (que também volta do 3D), já o fogo cria uma área de explosão e pega todo mundo em volta.

Os setpieces do jogo também são muito bons, há uma parte onde você deve passar por uma horda de Darksides (Heartless gigantes) que é muito legal. Aliás, visualmente, por mais que o jogo todo se passe no Realm of Darkness, ele é muito variado e interessante, cada área tem um tom muito diferente de outra e a luta final do jogo apresenta de forma magnífica todo um espetáculo visual meticulosamente montado. A engine nova, por mais que rode em 30fps, é linda. Eu tinha uma preocupação vendo fotos e cenas estáticas, de que talvez o jogo estivesse muito “duro”, ia estar pouco vivo e as cutscenes iam ser estranhas e nem um pouco expressivas, mas graças a deus estava errado, é tudo muito muito bonito e o charme de sempre ainda está lá.

Por se passar num mundo sombrio e vazio, o jogo é indiscutivelmente mais melancólico (tal qual Birth By Sleep o qual carrega o nome no título), onde a protagonista, Aqua, é testada a cada segundo. É um tanto semelhante ao início de Kingdom Hearts 2 e de certa forma me dá uma certa pena que não tenha saído junto com o jogo como seu prólogo de 4 horas, mas por outro lado é um ótimo jogo pra criar confiança em Kingdom Hearts 3 e esperar mais ansioso ainda. Ele trata de questões muito interessantes e explica coisas que sequer um dia precisam ser explicadas de jogos anteriores, mas que você olha e pensa “pqp vsf nomura nmrl” enquanto abre um largo sorriso. Eu diria que KH 0.2 é imprescindível para a experiência de Kingdom Hearts 3 num geral.

 

Kingdom Hearts 3 vem aí e espero conseguir produzir um texto tão grande e emocionado como esses depois que jogar. Com o lançamento cada vez mais perto, os trailers recentes até agora fazem o jogo parecer incrível. Seja a escolha de mundos e ou como Nomura fala de suas idéias com uma grandeza e animação, acredito que será uma experiência incrivel. É uma sensação parecida de quando eu estava esperando Kingdom Hearts 2, lá pelo final de 2005, mas pelo menos dessa vez não vou ter que baixar em Japonês pra jogar 4 meses antes de todo mundo.

Luiggi

Luiggi

Me perguntam porque eu gosto tanto da Nintendo. Primeiramente meu nome é Luiggi. Segundo é que nunca tive motivo pra me decepcionar desde que jogava quando pequeno. Deve ser porque nunca comprei um Virtual Boy. Se bem que eu comprei um e-Reader, mas era legal até. Eu gosto de videogames num geral.
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