Respeite os que se mantêm fiéis ao que são

Kirby, para mim, atinge um nível quase transcendental. Quando me pedem lista de jogos da franquia para jogar, é necessária uma força de vontade muito grande para simplesmente não falar “TODOS” e dar o assunto por encerrado. Até porque isso não é verdade, mas é 95% verdade então é muito próximo. Aquele 5% de Kirby que talvez você possa pular são casos extremamente específicos nos quais o jogo não é nem ruim, só genérico ao extremo.

Kirby Star Allies pode vestir o manto de genérico, mas não cai nesses 5%. É Kirby, puro e simples.

Há um padrão em jogos do Kirby desde o GBA, onde o primeiro que sai para o console é bastante normal, contido, talvez para agradar aquele novo público. Planet Robobot, com seus cenários fora do padrão e bastante variados existe graças ao esforço de seu antecessor, Triple Deluxe, em ser genérico. Havia uma base ali para ser adaptada, e Robobot se aproveitou. Acredito que Star Allies é essa base. As mesmas paisagens de grama, neve, deserto, vulcão e praia. Os mesmo vilões completamente fora de eixo com o resto dos personagens. Poderes novos e antigos. O mesmo de sempre. Muito confortável. Mais confortável ainda com mais pessoas ao redor.

O grande tchans de Star Allies (tal qual está no nome) são seus companheiros de viagem que, tal qual em Kirby Superstar, são seus inimigos mas de forma amiga. Jogue um coração no inimigo e ele será seu mais novo e fiel parceiro, pronto pra todo perigo que vier. Jogue em mais dois e ande por aí simplesmente obliterando tudo o que vem pelo caminho com seu quarteto. Tendo os quatro juntinhos você pode fazer feitos incríveis como virar uma roda gigante e sair destruindo tudo por ai ou até mesmo uma ponte para guiar um inimigo com uma chave até uma porta trancada.

Kirby é fácil, sempre foi fácil, e Star Allies talvez seja um pouco mais fácil que de costume. Acaba sendo uma consequência de haver quatro pessoas na mesma tela, apesar de que o computador é EXTREMAMENTE educado e só ataca ou se você já atacou ou se ficou muito tempo sem matar um inimigo. É como se cordialmente esperasse que você resolvesse os problemas sozinho, mas fica ali pra te dar uma mãozinha caso não consiga. A CPU só se prontifica para resolver puzzles se estiverem nas condições corretas.

Falando sobre os puzzles, acho que o maior defeito de Star Allies é ficar com medo de ser muito inteligente ou complexo. Há uma mecânica muito legal junto com a dos amigos, que é ser possível atribuir certos elementos a certos poderes, ou simplesmente criar outra forma de utilizar dois poderes em conjunto. Por exemplo, colocar fogo na espada cria uma espada de fogo (!), que pode ser usada para cortar e também queimar. Já o poder da pedra e o psíquico criam um combo onde a pedra pode ser carregada por aí pelo psíquico e ser largada no chão com um elemento de choque. Todas as combinações são bem divertidas e naturalmente você espera que lá pelo final do jogo os puzzles fiquem cada vez mais malucos, tal qual eram com as combinações em Kirby 64. Mas nunca acontece. Há momentos em que o jogo separa Kirby de seus amigos para cada um resolver uma parte do estágio separado do outro. Essas partes são muito legais, mas infelizmente muito raras. Star Allies se mantém agradável até demais, tão agradável que os coletáveis dessa vez, geralmente os prêmios pela resolução da maioria dos puzzles, não servem nem de barreira para progressão da história como era de tradição. Eles simplesmente são peças de quebra-cabeça que servem para completar uma figura bonitinha na galeria. Não que essas figuras não tenham valor em si, a maioria é completamente nova e cada uma desenhada por um artista diferente, mas parece que falta algo maior, algo que prenda você na mesma fase quebrando a cabeça pra saber onde que está a bendita peça faltando. Talvez por falta de motivo para esconder tão bem as peças, eles não ousaram tanto nos desafios. 

Ou talvez foi falta de tempo, pois há uma impressão de que Star Allies foi levemente apressado. Há pouco lançaram 3 bonecos novos para o jogo: Rick, Kine & Coo (agindo como um personagem só) de Dreamland 2, Marx de Superstar e Gooey de Dreamland 3. Além de jogar com eles em modos diferentes, na história principal você consegue recrutá-los através de uma roleta em palácios específicos que estão espalhados pelos mapas. Mas o bizarro é que antes disso, o número de personagens recrutáveis era apenas 3: Bandana Waddle Dee, Dedede e Meta-Knight. Um número muito pequeno para justificar o meio de recrutá-los. Não reclamo, pois o update saiu de graça, e de acordo com a Nintendo é apenas a “Wave 1”, mas não consigo deixar de pensar que já era para eles estarem por lá desde sempre. Ou talvez esses updates já foram planejados desde o inicio. Provavelmente é isso.

Star Allies parece menor que os outros, e apesar de fazer a conta várias e várias vezes (e me surpreender com o quão curto são os outros também) e confirmar que ele tem o mesmo número de fases, se não mais, do que todos os outros Kirby, não consigo acreditar. Talvez seja porque o último mundo é enorme, ou talvez porque tiveram que encurtar algumas coisas durante o processo de criação. Seja o que for, apesar da aparente curta duração, não foi de todo ruim, pelo simples fato de sermos agraciados com um dos World Maps mais legais dos últimos tempos.

Kirby Star Allies não vai além como Planet Robobot, mas também não cai no buraco de ser extremamente genérico como é Squeak Squad. É um joguinho simples, agradável, que cai muito bem com o conceito do Switch de chamar completos aleatórios pra jogar com você na fila do banco. E se de fato vier mais coisa por aí por update, vai ser só sucesso, pois a base já é forte.

Luiggi

Luiggi

Me perguntam porque eu gosto tanto da Nintendo. Primeiramente meu nome é Luiggi. Segundo é que nunca tive motivo pra me decepcionar desde que jogava quando pequeno. Deve ser porque nunca comprei um Virtual Boy. Se bem que eu comprei um e-Reader, mas era legal até. Eu gosto de videogames num geral.
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