Tênis com Mario

Desde pequeno eu sou ansioso. Ser ansioso significa várias coisas: uma delas é ter ataques de ansiedade (não é meu caso), outra é perder o sono relendo a mesma página da Nintendo World sobre Super Smash Bros Melee várias e várias vezes (esse é). Muitas vezes, ser ansioso significa preferir ir logo experienciar algo ao invés de ficar lendo sobre. Ir lá tomar um pau contra um ser humano ou o computador ao invés de ficar no famoso “laboratório” praticando. E isso cria uma parede que é extremamente difícil de ser escalada, ou uma situação onde você faz algo bem, mas puramente por instinto.

Talvez 18 anos de Mario Tennis tenham tornado meu instinto tão enraizado no meu ser que eu acho impossível explicar o que, por que ou quando faço certas coisas. Não sei quando usar slice ao invés de topspin, não sei porque joguei a bola para tal lado ao invés do outro. Não sei nem explicar porque que inexplicavelmente vou pra frente da rede sabendo que vou levar lob. Eu simplesmente faço e não consigo pensar mais a fundo que isso.

Para quem não sabe, tênis, um esporte onde certa vez o Brasil possuiu relevância internacional, se resume a você ler seu oponente. Para isso, há muitas técnicas e Formas De Bater Na Bolinha que lhe dão vantagens em situações específicas. Tênis é perfeitamente transferível para o meio dos videogames. Claro, a maioria dos esportes também é, mas tênis é o que traduz melhor 90% dos seus aspectos, seja o jogo mais realista ou mais arcade, como Mario Tennis é. A única coisa que ainda não vi ser reproduzida (talvez para o bem), é o inevitável cansaço físico e mental que o jogo proporciona: o tênis de videogame só possui o segundo item.

Mario Tennis Aces não resolve isso, mas ele tem um equivalente curioso em forma de poderes especiais. Mexa a segunda alavanca para a direita e seu personagem irá em direção a bola. Dependendo de quando você aperta, ou você gasta barra (cansando mais) ou você vai perfeitamente e ganha de volta sua confiança e energia. Como o mundo do Mario é repleto de seres sobre-humanos, correr pela quadra não cansa, obviamente. Mas parar o tempo e efetivamente correr muito rápido claramente gasta sua barra, e gasta pra caralho. Pular 30 metros para explodir a bola no lado do seu oponente também gasta. Essa é a única forma desses personagens cansarem e é a mais inteligente. Cansou? Vixe, não pode mais parar o tempo. Perdeu barra assim que chegava na estrela do chão que indica quando você pode dar pulo altíssimo? Foda, cansou na linha de chegada. Resolveu mexer a alavanca pra buscar uma bola longe, mas estava completamente sem barra? Seu personagem vai jogar a bola mais alta e mais lenta da história, como se estivesse sem energia completamente para mandar uma jogada melhor. Mario não pode só cansar, ele precisa perder sua energia para tal, por ação direta do jogador. É você quem decide quando que o Mario cansa, pois naturalmente ele é o jogador de tênis mais resiliente do mundo, ele só é tão bom quanto você é. (Convenhamos que a perda dele pro Nadal foi completamente forjada).

Tal qual o Mario, eu não sei o que me leva a fazer meus movimentos. Algo me impulsiona.

Logo depois que saiu Mario Tennis no Nintendo 64 eu fui fazer aula de tênis, porque o jogo havia me motivado a tentar como era na vida real. Eu queria saber se ser o Mario na vida real era tão divertido quanto ser ele na tela (era). Tênis é um dos meus esportes preferidos de praticar hoje em dia, apesar de eu não lembrar nem se eu era particularmente bom nem de como é a sensação de uma raquete na mão tem mais de 15 anos. Mas eu lembro de treinar saques, acho que eu era até bom. Mas também lembro que eu metia os piores lobs da história. Cinco jogos de Mario Tennis depois, minha memória muscular e mental é a mesma de sempre, o tempo de adaptação foi bastante curto e se resumiu a aprender as mecânicas novas. Não quero entrar no mérito das coisas que faltam ou não faltam em Mario Tennis Aces, apenas que como jogo de tênis ele é um dos mais gostosos que tem.

Joguem esportes digitais e, se possível e gostarem, joguem sua versão real. Acompanhem também. Vivenciar os dois mundos é uma experiência única que só jogos de esporte podem proporcionar.

Luiggi

Luiggi

Me perguntam porque eu gosto tanto da Nintendo. Primeiramente meu nome é Luiggi. Segundo é que nunca tive motivo pra me decepcionar desde que jogava quando pequeno. Deve ser porque nunca comprei um Virtual Boy. Se bem que eu comprei um e-Reader, mas era legal até. Eu gosto de videogames num geral.
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