Esse é o post de número 100 do dislu.do

Esse é o post de número 100 do dislu.do. Na verdade é o centésimo segundo, mas se levarmos em conta que os dois primeiros textos do site eram re-publicações, postadas apenas para não ficar feio estrear o site com poucos artigos, esse é o centésimo post oficial. Algo que, sinceramente, não deveria nem mesmo merecer a sambada matemática para a conta encaixar aqui.

Digo isso pois me lembro de certa vez que estava tentando parar de fumar e contei para uma amiga que aquele era meu trigésimo dia (número fictício para dar prosseguimento à narrativa) sem fumar. Ela me respondeu algo que fez muito sentido: se eu realmente estivesse feliz com aquilo não estaria contando tão ansiosamente os dias que passei sem cigarro. Isso é algo que ainda acredito, que a ansiedade por comemoração normalmente vem junto com a dificuldade de manter aquilo que você está comemorando.

Após um dia de boteco, por exemplo, não conto quantos dias passo sem álcool como se cada nascer do sol fosse uma vitória. É a maneira de saber que o vício é inexistente, ou pelo menos é algo que não sobrecarrega, que é natural. Nosso site se tornou como a bebida pra mim, entorpece mas não me amarra. Parece que ontem mesmo eu estava escrevendo o texto introdutório do site (aquele que aparentemente as pessoas têm um prazer imenso em acessar segundo as estatísticas do site) e agora me vejo aqui redigindo o centésimo quase teletransportado pela empolgação.

Não digo que não seja difícil ou custoso manter o dislu.do, mas aos poucos a raposa foi se moldando em algo que faz parte de nós sem forçar a barra. Por mais cansativos ou fora de mão que sejam alguns de seus momentos, quando finalmente conseguimos nos unir as coisas fluem e saímos da empreitada energizados. Ainda se compara à bebida, pois quando estamos lá, juntos, com a mão na massa (ou na mesa do bar pra seguir a metáfora), sentimos que tudo encaixa, que podemos muito ou até mesmo tudo. Não queremos parar.

Quando esse momento acaba nós saímos cada um para nosso próprio canto, alguns indo dormir pra acordar cedo e trabalhar, outros tropeçando embriagados pelas ruas da internet gritando ofensas aleatórias. No dia seguinte, entretanto, permanecem conosco na memória aquelas horas que estávamos juntos fazendo o site acontecer, nos incentivando a continuar e fazer tudo de novo por mais um dia. Tudo isso acontece sem esse sentimentalismo excessivo e tonto desse texto, só vai rolando sem nem mesmo nós conscientemente percebermos.

Toda essa questão de energia e naturalidade pode parecer um monte de papo Hare Krishna Brasileiro dos anos 90, mas é fato que temos algo especial aqui. Já vivemos outras situações parecidas com a do dislu.do para saber que é diferente mesmo sem pensar sobre o assunto. E quando nós só sentimos algo sem tentar racionalizar o resultado acaba tendo um efeito místico desproposital que explica aquilo que nem se tentou pensar muito sobre. É toda uma aura singular que simplesmente nos rodeia e, embora seja importante, acabamos nem notando.

Um paralelo: uma coisa que eu sempre odiei é esse lance de Youtuber criar um jeito de chamar o seu público, tipo “Faaaala Esquadrão” ou “Salve Mascarados e Mascaradas”. É uma raiva que realmente me dá vontade de agredir fisicamente o criador que faz isso, pois você vê que não passa de uma receitinha de “como ser um Youtuber engajado e empático com seu público”. Mas aí do nada eu tô bêbado e erro o emoticon de Raposa, digito um número extra aleatório na frente, e a acabamos com algo muito parecido com a idiotice exemplificada antes, mas natural e espontânea. As coisas que acabam pegando e funcionando no nosso meio não são imperativas, são todas assim, na base do tropeção. São nesses pequenos detalhes que a tal mencionada naturalidade gera importância e define nosso corpo.

Portanto, nesse breve tempo de seis meses que compõem a história do site, o notável nunca foi algo que buscamos ativamente ou algo que tentamos minar. É simplesmente algo que nos permeia por agir como agimos, sermos o que somos; algo que se torna mais forte com essa troca de ideias profundas misturadas com um caminhão de lixo cheio de besteira. Eu ia falar que é como se fosse uma Genkidama do bem-estar, mas eu queria evitar esse tipo de coisa nesse texto.

Então estamos aqui, com a casa toda quebrada e cheia de erros de design para arrumar, simplesmente exercendo nossa existência, mas conseguindo miraculosamente extrair algo bacana disso. O tempo só passa e a gente não conta os dias, nem quantifica os posts, por ser tão gostoso e tão normal simplesmente continuar seguindo o fluxo. Mas no meio desse caminho sentimos que crescemos, nos fixamos, e convém dar uma comemorada – embora ninguém tenha sentido o impacto da viagem. O número 100 é um número bem bacana para fazer isso: é um número “redondo”, e embora todos os números inteiros sejam redondos ele possui dois zeros e fica redondo esteticamente também. O pessoal gosta de centenas. Então aqui está.

Fica aqui nosso agradecimento não genérico e sincero para todos os que fazem parte do dislu.do. Desde quem estava presente e ajudou na sua criação e conceitualização, até os que nos acompanham e participam ativamente sem escrever ou streamar, mas mandando sempre energia para essa bola gigantesca de força que definitivamente não tem nenhum paralelo metafórico com nenhum anime. Que a gente possa nos encontrar muitas outras centenas de vezes neste bar imaginário, quem sabe dando chance para eu escrever outros textos pra encher linguiça como este. Raposinha 4 pra sempre.

Hynx

Hynx

Gosto muito de videogames, mas gosto ainda mais de ficar pensando qual a próxima metáfora idiota que eu vou criar para exemplificar enchendo linguiça meus pontos de vista que poderiam ser resumidos em um parágrafo ou dois. É um vício nojento, sim, mas no final das contas eu acho que fica bem legal. A galera gosta...
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