Fotografias em Kingdom Hearts 3

In Jogo, Texto by Lucasq1 Comment

AVISO: esse texto contém spoilers de Kingdom Hearts 3 inteiro.

Para todos que estavam acompanhando nosso site e twitter, provavelmente notaram uma pequena folga que o site tirou semana passada. Uma boa parte da equipe estava (ainda está) jogando Kingdom Hearts 3 — foi o momento pelo qual todo mundo estava esperando por anos, após uma longa temporada onde o Hynx não hesitou em xingar por causa de spoiler de trailer,  piadas com o Luiggi não lembrando que o Roxas aparece no final do Chain foram criadas e todo mundo chorando reassistindo as cenas dos jogos anteriores. Agora é só alegria e felicidade. Bom, tô meio extasiado com KH3 ainda e não consigo pensar em nenhuma outra coisas além dele, fiquei empolgadaço depois da cachaça que tomei sábado falando do final secreto.

Uma nova adição em KH que está se tornando bem comum entre jogos de video game é um botão especial para se tirar fotografias. Eu adoro tirar fotos em jogos, chegando a tirar umas quatrocentas em Dragon Quest XI. Adoro mais ainda as pequenas interações que colocaram junto no KH. Ver o Jack Sparrow ou a Anna reagindo ao celular é fantástico. Separei algumas fotos que gostei bastante abaixo.

Gosto de sair coletando coisas

Nunca tinha me tocado o quanto, sempre que jogo Kingdom Hearts, talvez por ficar tão focado no combate, sinto minha alma lavada e num estado bem relaxado toda vez que termino o jogo e saio por aí procurando tesouros e outros coletáveis. KH3 foi assim o tempo todo: deu para relaxar durante os mundos da Disney e não-Disney por uma quantia absurda de horas, pois os tesouros, apesar de quebrarem a tradição da série de existirem alguns que exigem técnicas de movimento que você vai ganhando durante a história e, por consequência, só pode pegar depois, agora estão muito bem escondidos. Todo momento em que se encontra um tesouro neste jogo é uma epifania e só percebi agora o quanto gosto dessa parte. Quando joguei Mario 64 e Sunshine (faz pouco tempo, pois é) o meu deleite estava todo em passar dos objetivos e aprender a pular de maneira bonita, de modo que eu meio que ignorava o poder das partes de sair pegando coisas. Agora percebo que se fiz bastante progresso nos dois de forma natural é porque já estava gostando bastante de coletar as coisas. A movimentação estilosa faz parte de eu gostar tanto disso, coisa que KH3 tem desde o começo (nada supera os skips do 2, porém).

A outra adição que me fez ficar viciado, obcecado por todas as texturas dos mundos no jogo (e ainda estou) são os emblemas do Mickey. As chamas que acenderam minha vontade de explorar foram um pouco diferentes das dos tesouros. Os caras colocaram os emblemas como requisito para destravar o final secreto do jogo e eu, desses que cai em qualquer papinho, fiquei maluco com os emblemas. Eles são todos mais bem escondidos ainda do que os tesouros mesmo com as dicas de Donald e Pateta, tem umas ilusões de ótica estilo The Witness que ficam me provocando toda vez que vejo o que parece uma orelha do Mickey e passo mais tempo do que é saudável para um ser humano tentando formar um emblema com a câmera.

Rapunzel

Apreciei a maioria dos parceiros do jogo, me diverti bastante com os ataques em equipe (não sei como me sentir com o fato deles serem de graça ainda, mas veremos com o futuro)  e os mundos da Disney foram todos um deleite de serem visitados e explorados. Os chefes são todos tematizados, condizem com o que cada mundo quer dizer além de extremamente divertidos e muitas vezes malucos (Frozen), gostei mais dos mundos da Disney desse do que em qualquer outro na série. Sério, o que foi aquele gramado de Corona?

A Rapunzel fica bem mais bizuza com o cabelo curto.

Combate e espetáculo

Pelo fato de eu ter passado meu primeiro mês de 2019 jogando apenas coisas de ação (e o último de 2018 também), tenho pensado muito no ato de jogar videogame de forma performática. Talvez seja uma das maiores demonstrações de respeito por uma obra nessa mídia do mesmo jeito que quebrar os limites de um jogo possa ser visto como uma relação de honestidade entre jogador-jogo. Por exemplo: observem esse cara jogando Devil May Cry. Apesar de importantes também, as minúcias que acontecem em absolutamente todos os segundos não são a única parte interessante do vídeo. É fantástico de ver o que o jogo comporta e como alguém manipula esses elementos para construir um espetáculo. O espetáculo é uma das coisas que fazem eu me apaixonar por esses jogos. Aprender a utilizar o especial do Donald no KH2 é, por si só, uma tarefa muito especial, mas o que torna ela mais especial ainda é usar esse mesmo especial para humilhar o Terra, chefe mais forte de KH2. Criar seu espetáculo é sempre especial.

Combate é uma forma de expressão e aprender a utilizar as ferramentas que estão disponíveis para você é o que resulta na eloquência. A busca por essa eloquência vem das ferramentas serem boas o suficientes para trazerem resultados bonitos, interessantes, que favorecem o experimento na brincadeira. Junto disso, os desafios que os inspiram são importantes também, rivais são um incentivo tão grande quanto a prática. E KH3 tem um rodízio de rivais incríveis como não se via há muito tempo. O último terço de jogo é dedicado quase todo a eles. Existem muitos palcos para se brincar em KH3, seja a Aqua Trevosa, os membros da Organization, o próprio Xehanort (uma das minhas lutas preferidas da série! Coisa de outro mundo mesmo) e até aquela batalha extra. Guardei todos eles porque estava esperando muito pela chance de conseguir outros palcos onde fazer espetáculos. Agora eu tenho e o futuro é promissor.

PS: Ariel humilha, usem ela.

Organization XIII

A perspectiva de Kingdom Hearts ter uma conclusão me fazia, de vez em quando, tremer de medo (medo de gente errada!) de que o tal jogo conclusivo não abordasse temas bonitaços iguais os do Chain of Memories e tivesse seu foco voltado para os momentos factuais da história, explicações e expansão dos eventos de Dream Drop Distance, outros mistérios malucos e reuniões entre os trezentos personagens da série. Teve isso também, e gosto bastante dessas coisas — faz parte do que me deixa acordado a madrugada pensando. Porém é toda vez que os jogos dessa série falam de coisas Importantes que eu começo a babar, entrar num estado de felicidade, querer recomendar pra todo mundo e xingar qualquer um que fala que é ruim.

Ponderei comigo mesmo após terminar DDD o quanto a nova Organization XIII, ao contrário da liderada por Xemnas (Chain, Days, 2) representa muito mais as facetas de um indivíduo do que, bem, XIII pessoas únicas, com seus próprios problemas que as trouxeram para lá. Se entregar aos planos de Xehanort significa a abdicação de individualidade, além das diversas piadas na internet. Em Kingdom Hearts 3, você enfrenta todos os XIII da Organization nova e cada um deles tem seu momento antes da morte.

Vejo esse momento como uma traição ao ideal de Xehanort, o velhão, de uma Organization. Uma reunião de pessoas que não deveriam passar de cascos, o que muitos presumiram que era assim na primeira vez e na segunda mais ainda. Nada torna essa traição mais evidente que o momento da morte de Xemnas, o antigo líder da Organization e também o casco da existência de Xehanort, na qual ele reflete sobre o sentir o vazio e as dores da solidão. Um jogo atrás, o mesmo afirmou que um ser sem coração pode até existir, mas os caminhos para o corpo nutrir o coração serão trilhados de qualquer forma pelas experiências que o casco sem alma se envolver. Resumindo: eu dei uma choradinha.

Yozora

Começou como piada, virou a mais séria de todas as coisas depois. Puta merda, está de parabéns, jogo. Eu terminei algumas horas antes de liberarem o final secreto e aplicar a atualização. Abrir o menu e ver aquele nome na tela enquanto estava morrendo de cansaço foi uma experiência surreal demais, além de tudo o que veio antes. Parabéns de volta, jogo.

Lucasq

Lucasq

A primeira vez em que ouviu Kyary Pamyu Pamyu o influenciou tanto quanto a primeira vez em que vestiu uma roupa preta. Gosta de jogos num geral mas quando dá pra fazer combo é especial.
Lucasq

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